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Nutrição pós-colheita em fruteiras: preparar a próxima campanha

Artigo Técnico
24 de setembro de 2026 por
DIRD

Qual a importância da nutrição pós-colheita em fruteiras?

A colheita representa apenas uma etapa do ciclo produtivo. Após a apanha dos frutos inicia-se um período determinante para a cultura: a nutrição pós-colheita.

Apesar de muitas vezes subvalorizada, esta fase é essencial para repor reservas, promover a recuperação fisiológica da planta e preparar o ciclo seguinte. É também neste período que devem ser ajustadas as estratégias nutricionais e fitossanitárias em função da cultura e das condições da exploração.

Cada cultura é única.
A estratégia também deve ser.

Os nossos agrónomos trabalham consigo para desenvolver estratégias ajustadas às necessidades da sua exploração.

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O que acontece com a planta no pós-colheita?

Durante o pós-colheita, as plantas mantêm uma atividade metabólica e fisiológica significativa, continuando a absorver e mobilizar nutrientes. Como os frutos já foram colhidos, esses nutrientes deixam de ser canalizados para a produção e passam a ser armazenados em raízes, lenho e, em algumas espécies, também nas folhas.

A duração desta janela varia consoante a cultura: numa cerejeira pode prolongar-se até 120 dias, enquanto no kiwi se reduz a apenas 20 a 30 dias. Em espécies de folha caduca, como macieira ou pessegueiro, é crucial atuar antes da senescência foliar, enquanto as folhas permanecem ativas e funcionais. Já nas culturas de folha perene, como citrinos e abacateiro, a absorção mantém-se de forma mais prolongada.

 

Porque é que esta fase é decisiva?

O pós-colheita é o momento em que a planta acumula reservas energéticas e proteicas, repõe o equilíbrio fisiológico e repara danos celulares provocados pela frutificação.

O período pós-colheita é também importante para o desenvolvimento radicular e para a preparação da planta para o inverno. Uma gestão adequada contribui para um abrolhamento uniforme e uma diferenciação floral equilibrada.

Quando esta fase é negligenciada, podem surgir florações irregulares, atrasos no abrolhamento, abortos florais e maior suscetibilidade a situações de stress biótico e abiótico.


Nutrientes mais importantes no pós-colheita

Alguns elementos assumem um papel de destaque nesta fase.

O potássio é o nutriente mais exportado pela colheita, essencial no transporte de açúcares, na regulação osmótica e na tolerância ao frio, ao reduzir a temperatura de cristalização da planta.

O azoto pode ser necessário para restaurar o equilíbrio nutricional, mas deve ser aplicado de forma criteriosa e acompanhado de molibdénio, que participa nos sistemas enzimáticos nitrato-redutase e nitrogenase, fundamentais para a assimilação dos nitratos.

O boro favorece o transporte de açúcares, a diferenciação floral, a lignificação dos tecidos e melhora a absorção de fósforo e potássio.

O fósforo, por sua vez, contribui para a acumulação de reservas energéticas (ATP), participa na síntese de DNA e RNA e estimula o enraizamento.

O zinco é necessário para a síntese de triptofano, precursor do ácido indol-acético (IAA), hormona da família das auxinas que regula o desenvolvimento radicular e do caule.

Já o cálcio e o silício reforçam as paredes celulares, aumentando a resistência estrutural, a proteção contra fungos patogénicos e a tolerância às geadas.

 

Aminoácidos na recuperação pós-colheita

Os aminoácidos participam em vários processos metabólicos importantes durante esta fase.

A glutamina e a asparagina intervêm no transporte e armazenamento de azoto. A prolina e a glutamina contribuem para o ajuste osmótico e para a manutenção do turgor celular em situações de stress, como seca ou salinidade.

Já a arginina e a lisina funcionam como precursores de metabolitos secundários (fenóis, alcaloides, fitoalexinas) que induzem resistência sistémica adquirida (SAR/RAS) e ativam proteínas relacionadas com a patogénese (PR).

No conjunto, estes compostos contribuem para a absorção e assimilação de nutrientes e para a resposta da planta a condições adversas.

 

Desenvolvimento radicular e preparação para o inverno

Durante o pós-colheita, muitas culturas apresentam um novo pico de desenvolvimento radicular. Criar condições para este crescimento permite aumentar o volume de raízes, favorecer a aquisição de nutrientes e potenciar as interações entre a rizosfera e os microrganismos benéficos.

O zinco desempenha aqui um papel importante através da síntese de triptofano e da regulação das auxinas, enquanto aminoácidos como a prolina e a glutamina apoiam este processo.

Em paralelo, cálcio, silício e potássio contribuem para preparar a planta para as baixas temperaturas, reforçando a estrutura dos tecidos e a tolerância ao frio.

 

Para além da nutrição: fitossanidade e gestão do solo

O sucesso do pós-colheita depende igualmente de práticas de proteção fitossanitária e gestão do solo.

Nesta fase é comum a ocorrência de infeções fúngicas e cancros bacterianos em tecidos lenhosos, pelo que a utilização preventiva de cobre complexado com ácido heptaglucónico constitui uma estratégia eficaz, atuando tanto por ação direta como por indução de respostas de defesa sistémica.

A humidade do solo deve ser cuidadosamente gerida: em condições de secura, a absorção de nutrientes fica limitada, pelo que, em culturas de sequeiro, a aplicação foliar torna-se fundamental.

Além disso, a incorporação de restos de poda e folhas aumenta a matéria orgânica e restitui nutrientes ao sistema, enquanto a manutenção de uma cobertura vegetal durante o inverno previne a erosão e promove a biodiversidade.

 

Preparar agora a próxima campanha  

Uma nutrição pós-colheita adequada assegura a reposição de reservas, a recuperação fisiológica, a diferenciação floral uniforme, maior resistência a geadas e doenças e um enraizamento vigoroso.

Esta fase não deve ser negligenciada, sob pena de comprometer o desempenho produtivo e a resiliência das plantas na campanha seguinte.

 

Recomendações Hubel Verde

Para apoiar os produtores nesta etapa decisiva, a Hubel Verde recomenda:

  • Novamix Sólido 2AA (B + Zn) – corretor de carências.
  • Micronova Bo Mo – corretor de carências em molibdénio e boro.
  • Set-Bloom (P + K + B + Mo) – bioestimulante e corretor de carências.
  • Sapur – bioestimulante radicular.
  • Heptacobre – bioprotetor à base de cobre complexado.
  • Codasil (Si + K) – bioprotetor que reforça paredes celulares e resistência ao frio.

 

Se precisar de apoio para definir uma estratégia pós-colheita ajustada à sua cultura e às condições da exploração, a equipa da Hubel Verde está disponível para acompanhar no campo.



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DIRD 24 de setembro de 2026
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